Práticas

Nossas práticas agroecológicas se espelham nos ensinamentos da floresta e seguimos como base diversas linhas de pensamento. A mais importante é a contribuição dos indígenas brasileiros com seus conhecimentos ancestrais, baseado na agricultura familiar, integrados ao meio ambiente e com cooperativismo. dominavam sistemas sofisticados de produção que incluíam desde conhecimentos de calendários agrícolas baseados na astrologia, até sistemas de
seleção e manejo de solos e diversificação de culturas. A adubação e rotação de áreas, permitindo a regeneração do solo no meio da floresta e evitando a exaustão da terra. Sua agricultura é baseada na sucessão ecológica, imitando a natureza, combinando espécies medicinais, alimentares e frutíferas em diferentes níveis, com forte presença feminina, cujos saberes ancestrais, como o uso de técnicas de conservação, continuam a ser fundamentais para a soberania alimentar e a proteção ambiental.

A agrônoma austríaca Ana Maria Primavesi nos legou um pensamento transformador dos sistemas de produção agrícola que se baseia nos conhecimentos de outros continentes, mas adaptados ao nosso bioma brasileiro. Ela nos ensinou que o solo vivo é um solo sadio, gerando plantas sadias e seres humanos sadios.

O agricultor e pesquisador suíço Ernst Götsch nos mostrou uma agricultura sustentável com cobertura do solo com palhada. Para ele os insetos e organismos vivos são vistos como sinalizadores de deficiências no sistema, e ajudam a compreender as necessidades ou falhas daquele cultivo. À medida que os ciclos de plantio ocorrem, há um enriquecimento do solo, devido à disponibilidade de matéria orgânica remanescente das colheitas, o aumento da biodiversidade, a melhoria da estrutura e maior retenção de nutrientes no solo.

Já do austríaco Rudolf Steiner, criador da Agricultura Biodinâmica, aprendemos a ver a agricultura de forma holística, tratando a unidade de produção como um organismo vivo em busca da harmonia com os ciclos da lua, dos planetas e da terra.

Assim, praticamos uma agricultura sem agrotóxicos ou transgênicos, seguindo diversas técnicas regenerativas e saudáveis, desde plantio, colheita, até o relacionamento com os consumidores com orientações modernas da EMATER-MG mescladas com saberes biodinâmicos.